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2021 e suas possibilidades

Salve! Parabéns por ter sobrevivido ao atribuladíssimo ano passado. Pandemia, recessão, mudança brusca de hábitos, entre outros infortúnios, foram desafios imprevisíveis. Mas muita coisa aconteceu e, com base nisso, quero conversar com você sobre as possibilidades para este novo ano.


2020 foi especialmente desafiador para a humanidade. Por questões sanitárias fomos convidados a não espalhar uma doença que assola o mundo nos recolhendo em nossas casas. O trabalho que depende apenas de cérebro e computador começou a ser feito em casa. Manufaturas, alimentação, saúde e várias áreas que dependem de esforço manual e maquinário precisaram se adaptar ao novo contexto. Quem não se adaptou faliu ou quebrou.

Obviamente o cenário não é tão simples quanto o que citei acima. Muitas empresas de tecnologia ainda resistem ao trabalho remoto. Como citei em outro artigo, ainda há quem acredite que as pessoas só podem produzir bem sob a ótica afiada da chefia. Mas há também os avanços inesperados, como o da telemedicina, com novos e acessíveis serviços sendo disponibilizados.

Avanços no trabalho remoto

Como parte essencial para retomada econômica, o trabalho remoto será expandido. Novas áreas irão se adaptar, mesmo que ainda seja estranho. Empresas/chefes que resistem adotarão, mesmo que a contra gosto. Todos os candidatos que entrevistei no último ano queriam saber se ainda trabalhariam de casa quando não o trabalho remoto não for mais uma necessidade.

Várias empresas, como a Convenia, já adaptaram a experiência de boas-vindas tentando integrar remotamente as novas pessoas no time. O ferramental para o trabalho também já é entregue na casa dos novos colaboradores. Diversas áreas que não eram remotas já aprenderam como utilizar Slack-likes, Vídeo chamadas etc. - muitas vezes até melhor que o pessoal de tecnologia.

Mas tem uma coisa que sempre me incomodou no remoto: a empresa precisa que você esteja disponível; você usa a mesma internet que havia contratado para somente assistir seu streaming favorito; seus gastos com alimentação, café, energia elétrica, entre outras coisas não previa que você fosse ficar em casa. Nesse quesito creio que as empresas subsidiarão, mesmo que transformando o pacote de benefícios, os gastos caseiros em prol do engajamento das pessoas. Isso inclusive pode vir sob força de lei (ok, não acredito que no Brasil isso aconteça tão cedo).

Novos produtos e serviços

Salvo os raros alecrins dourados, não estávamos preparados para trabalhar tanto tempo de casa. Quem já fazia trabalho remoto com certeza também contava com outros espaços além de sua residência. Muita gente montou o escritório caseiro durante o isolamento. Não à toa, os preços de webcams, microfones e cadeiras foram para a estratosfera.

Um negócio que teve algumas iniciativas de caráter duvidoso em 2020 foi o de montar o home office. Empresas serviram computador, internet, mesa, cadeira tomando a responsabilidade em favor da empresa - cobrando um preço desproporcional por isso. Creio que esse ano haverá novas tentativas nesse terreno, com modelos de negócio mais sensatos.

Outros negócios estão surgindo tendo como base o fato de que as pessoas passarão o dia de trabalho em casa - como a já citada telemedicina que avançou bastante. Desde deliveries dos mais diversos, planos de internet (fixa e móvel) específicos para o pessoal do home office, serviço de entrega e ações para colaboradores, avaliação emocional, entre tantos outros que surgiram e vão tomar melhor forma nesse ano. Sem contar o aperfeiçoamento que acontecerá em áreas já existentes, como pagamentos e e-commerce.

Um mercado que se movimentou inesperadamente foi o de imóveis que entra no novo ano fortalecido. Parte do pessoal que ficou no home office não ficou nas capitais e procurou se isolar no interior, fugindo do ritmo urbano uma vez que não sairiam muito. Mas o curioso foi o surgimento de novos projetos de arquitetura nos quais as plantas residenciais contavam com escritório - em arranjos que favorecem o uso ao longo do dia - diferente dos quartos que se tornaram escritório ao longo do ano.

Há ainda os produtos e serviços que, quando forem lançados, levantarão a pergunta: “Por que ninguém pensou nisto antes?”. Novas formas de pagamento, produtos de consumo, suítes de produtividade, experiências gastronômicas e culturais. No final do ano passado tive a oportunidade de assistir a uma peça de teatro online e fui positivamente surpreendido. Sim, é possível.

Educação

Obviamente não estaremos em quarentena para sempre, mas o Ensino a Distância veio para ficar. Mas ainda não me parece uma experiência eficiente. Principalmente as iniciativas que “levam a escola até a sua casa”.

O ensino como existia já não funcionava mais. Quem de fato se destaca são os alunos que vão além do que é ensinado em sala de aula. E aqui vale deixar claro que não é uma crítica aos professores, mas sim a como o ensino é pensado, principalmente em países emergentes. Houve muito avanço, mas ainda temos estruturas acadêmicas datadas.

Se para o ensino tradicional já estava difícil, pense em professores mal remunerados tendo que aprender a usar aplicações de vídeo conferência, preparando material que precisa ser digital, tendo que lidar com uma geração que nasceu usando smartphone. Se você pensa que isso é um caso isolado, te peço encarecidamente que volte para o planeta Terra.

Dito isso, creio que há muita oportunidade para repensar o ensino. É necessária uma reformulação profunda, tal qual o que leva a educação na Finlândia a estar entre as melhores do mundo há vinte anos.

É preciso considerar a tecnologia a nossa volta no ensino. Celular, TV digital, internet não só como canais, mas como parte da experiência pedagógica. Em localidades com melhor estrutura podemos incluir games, realidade virtual e aumentada, impressão 3d, entre outros. A principal fonte de informação para a população em geral é o, pasme, whatsapp. Por que não o utilizar de maneira melhor?

Há muita possibilidade para explorar e, infelizmente, educação não é prioridade - principalmente em países emergentes. Pesquisa científica? Poderíamos não ter perdido quase dois milhões de pessoas em 2020. Desculpe o desabafo.

Novos horizontes

Se você saiu de 2020 com a sensação de “finalmente acabou”, quero refazer o convite de voltar aqui para a terra firme. Por mais que tenhamos superado qualquer expectativa com relação ao desenvolvimento das vacinas, ainda estamos longe de não nos preocuparmos com a covid-19. Ainda temos muitos desafios pela frente. Como nos manter saudáveis, de corpo e de mente? Como proporcionar isso para quem está a nossa volta? Como melhorar a qualidade de vida, vista toda essa situação?

Essa pandemia mostrou o pior e o melhor da humanidade. Foi tanta coisa que a verdade não era visível mesmo que estivesse bem na nossa frente. Mas sejamos positivos: vimos que o conhecimento impediu uma situação muito pior, a ciência nos devolveu a esperança e a criatividade nos trouxe novas oportunidades.

Temos 365 dias pela frente. Aproveite cada um deles. Faça cada um deles melhor. Melhor também para com quem você interage. Não estou falando sobre ser mais produtivo, estudar mais ou qualquer outra coisa parecida. Não adianta nada ser uma máquina de trabalhar e não olhar para o lado, não ser uma boa pessoa em seu convívio ou mesmo para si.

“Se quiser ir rápido, vá só. Se quiser ir longe, vá acompanhado” - provérbio africano.

Feliz 2021.

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